Sinto-me um enferrujado no mundo.
Acordo quase que sempre assustado com as horas
e pendulo exageradamente da cama ao banheiro;
vez ou outra contrario: assalto a cozinha imunda.
Ouço grunhidos (e muitos) vindos das articulações
como se a ferrugem rangesse seus banguelos dentes.
Tanto antioxidante a prevenir-me do que
se de tudo fez-se acúmulo apenas no abdômen?
Há preguiça naquilo que faço e vejo e... cochilo.
Até os dedos esquecem-se de mim, ou melhor,
do lápis enquanto devagar rabisco estas linhas.
Ainda assim, por pior que pareça, é maravilhoso:
um estado doentio na carência de doença.
Mas, como insiste o finito, meus dias de ócio
cessariam, cessarão, tenderão ao zero e
viverá no mundo, descontente, um ex-vagabundo.














