Misturamos tanta vida com merda,
tanto tema sem porque nem causa,
tanto asfalto na mesma rua...
que acabamos não saindo de casa.
Repetem-se, a cada dia, mais e mais,
como as ondas de um mar amargo,
nossas conversas sem causa nem porquê,
em tons surdos e fora de cargo.
Seus maravilhosos desenhos coloridos
de fadas com mãos ancoradas... encardidas,
são horríveis por tamanha perfeição.
A moda dita as regras não perdidas...
A rima é que faz a ordem não programada.
Ligo o carro, acelero e vou-me embora.
Sei quando pego o embalo: é quando tu ri.
No fico-ou-não-fico? é que perco a hora!
Já se passam das três e, dois corpos no sofá.
Estendidos e mudos... sossegam e se beijam.
Porém, há mais beijos do que sossego. Convém?
Contudo, sufoco o tempo e dois corpos queixam-se.
Meus horrorosos desenhos desnutridos
de ogros com asas aluvadas... iludidas,
são lindos por escassez de exatidão;
mesmo em cadernos com folhas partidas.
Querida, não há nem haveria problema algum,
se quando ao seu lado ficamos sem assuntos,
bobos e calados... apenas com sorrisos nos lábios.
E que lábios! Basta com tudo... estamos juntos.







