Oh solidão, o que quer ver nesse espelho sem reflexo?
Onde um só cuspe escorre em velocidade ao piso.
Água corrente como num dia chuvoso pela sarjeta.
Metáforas são expressões de uma garganta seca.
Olhar ao céu, não há sinais que possa me ajudar.
Não vejo Lua, nem nuvens, nem estrelas.
Gosto amargo me força a fazer caretas.
Antítese é um relâmpago em meio a seu sorriso.
O tempo parou quando eu te encontrei
E acelerou quando deixei de ver você
Só para recuperar o instante perdido.
É mesmo estranho quando se quer alguém
Que sabe o quanto nós a queremos bem
E passamos de mais um desiludido.
Oh solidão, ainda se pudesses me presentear com algo!
Um violão, uma canção e até um porta-retrato
só para fazer o meu amor ficar aqui do meu lado
escutando as palavras mais bonitas que já escrevi.
Olhos abertos, pois a surpresa pode ser melhor que um jardim,
Um vilarejo de planos sem enquanto para um casal traçado.
Ainda mais se já estivéssemos casados, eu não teria roubado a Lua para mim.






