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01 junho 2010

Segundas intenções

Copo quebrado

Quando perdido vejo-me incerto
e, quando errado, sinto-me tão frágil.
Faço de mim herói e não aguento ser eu mesmo.
Olho-me diferente e na verdade tão igual.
Quando não sei onde, estou ao teu lado;
e quando o sol se põe escondo-me no escuro.
Insisto em confundir o concreto e o abstrato,
e finjo sentir dor para fazer-me de coitado.
Aprendendo que o amor te faz preocupado,
sempre preocupado e sempre sua vítima
do que não se explica por ser tão confuso assim.

E esse sofrimento de te ver com outro alguém
é o motivo com que uso essas palavras;
mas é que está tão bonito
que eu não sei se é ruim.
O pior ainda está por vir!
O pior ainda não chegou!
E você sequer notou
que meus olhos brilham quando te vejo,
e queimam quando ouso fechá-los
como cacos de copos quebrados
cortantes enquanto querem ferir.

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27 maio 2010

Crônicas da imaginação

Crônicas da Imaginação

Até que ando sorridente por esse tempos.
Chego a esquecer o motivo de tantos sorrisos às vezes.
Mas sabe, o mundo girou com mais suavidade nesse ano.
Foi quase tão perfeito como um filme e o "viveram felizes para sempre".
Comovente pensar por esse lado, não é verdade?
Quem dera eu ter encontrado alegria nesse sentido!
Bem, eu só queria que você partisse sem eu sentir falta.
A despedida deixa aquele clima de perda. A sua ausência vira saudade.
Eu nem pensei mesmo em ter-te por tanto tempo assim.
Ah! Ontem foi tão maravilhoso quanto confuso.
Ainda insisto em desentender o porque agimos desse jeito.
Hoje enfrentar como se nada tivesse acontecido.
Aliás, você lembra de algo que não nos comprometa?
Qualquer que seja, finja que é apenas imaginação.
Tem horas que me surpreendo o tanto que crio situações.
E essa não passa de mais um pensamento mundano.

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26 maio 2010

O certo com a pessoa errada

Neurônios

Os neurônios tropeçam nos pedregulhos
dos meus largos pensamentos estreitos.
Fazem congestionar-me todo em delírios.
Ah, se eu soubesse realmente voltar
pela estrada que segui;
eu veria todos meus erros convertidos em
vitórias e medalhas. As lágrimas lavariam
um rosto imundo. Talvez, o meu. Sim;
já não me reconheço mais. Cresci e mudei!
Posso dizer o mesmo de ti, camaleão?
Achas que pode sempre mudar,
se nem mesmo sabe quem és?
Seu mundo de contradições e descartes.
Ah, sou só mais um espectador de vidas
alheias. Forma ou conteúdo?
E meus neurônios caem, esfarelam-se e
nascem outra vez. Nascem outra vez.
Morrem... cresci e continuo o mesmo!

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18 maio 2010

Passeio a um lugar distante

Garrafa de vinho

A campainha chata toca e não é ninguém;
o vento que passa pela porta,
entra sem a licença: está tudo bem.
Um louco riu a toa e tonto;
eu num outro canto,
não conto vantagem.
Se vai andando para longe,
eu te dou a bença
e boa viagem.
Não sei o que me falta agora,
se quando vai embora
é quando eu me encontro.
Eu sei que sempre perco a hora,
mas se o mundo cai lá fora,
aqui dentro me tranco.
O problema é correr perigo;
correndo junto contigo
e com minhas palavras.
Hoje não vou sair não!
Ficar em casa lendo nada,
duplicando a graça
e dar-te como desculpas.
Quando a viagem acabar,
passe lá em casa,
dê um sinal e
saia correndo.
A campainha chata toca...

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14 maio 2010

Sete dias depois de uma garrafa de vinho e lirismo puro

Garrafa de vinho

Semana que vem, promete me amar?
Já que é árduo um encontro nosso
nessa vida de contrários horários.
Espero que não deixemos esfriar
essa vontade de termos um ao outro;
se sem um outro você, sou um eu vazio.
Poder então, tocar os teus lábios,
rir do seu riso, esquentar seus abraços;
encher-me em alegria, se não só,
trancá-la de vez em nossa casa.
Semana que vem, promete ver,
com maquiados olhos cegos de amor,
que eu, somente, só quero a ti?
E se é tão difícil compreender,
mesmo sabendo que palavras não bastam;
saiba que em tudo que disfarço e faço,
é sempre pensando em um tudo você.

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13 maio 2010

Diálogo mudo

Diálogo mudo

Nossos vícios são tão comuns.
Enlouquecer e não ter tempo para sorrir.
Que mude agora, pois não aguento mais.
Esse diálogo mudo, sem olhares, nem sinais.

Deixa então o suor escorrer pela face,
se nem mesmo o Sol há tanto calor,
nem mesmo os dedos me perfuram os olhos,
nem mesmo sua boca há mais graça.

Não! Eu não quero mentir para juntar façanhas.
Não! Corroer os lábios e as entranhas,
todo o resto do rosto, todo o resto do corpo,
tudo que ainda embriaga o que está por dentro.
(Relevar ou revelar nosso bom senso?)

E nos perdemos em meio de alguns
detalhes que nos puseram como os errados.
Que fique comigo, nada nunca é demais
julguei-me sempre menor, sempre o incapaz.

Vá senão te prenderei com correntes em meus braços,
Já que nunca te alimentei com meus sorrisos forçados.
Vá que o tempo corre em tempos que nem posso controlar.
O dia está tão lindo e já não quero mais olhar.

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12 maio 2010

Recíproca

Lavo as mãos e as enxugo mais tarde...

Essa inequação que existe entre suas vontades e meu querer propõe um novo modo de pensar. Já que para você, nossos valores estão além do que parece, por que é que não agimos conforme tudo indica? Tantos erros triunfantes que erguemos e fizemos questão de nos orgulhar. Há algum outro motivo sem ser seu desinteresse?

A cor de seu cabelo desbota a cada quinzena e o meu apego diminui a cada madrugada. Não espero repetir palavras, mas já não tenho medo de mais nada. Aconteça o que for melhor, eu sem você (você sem mim), já me conformei em ter tantas incertezas. Pois até em encontros, nos desencontramos. Há quem diga que ainda somos os mesmos: só se for para você. Fartei de esperar um sinal de esperança. Ao menos, não me alimentei com nenhuma.

Se nem a mim sinto dono, achas que posso ser sua posse? Vou me domar melhor numa próxima vez. Lavo as mãos e as enxugo mais tarde.

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07 maio 2010

Se fosse a de Chico

A Rita de Chico

Dê um atento para essa estranha menina;
ela apenas exige, não que necessita.
Ao que tão formosa fora noutros tempos,
hoje, em mero desalento, é apenas Rita.

Primeiramente, a primeira em mente,
e que tanto sacudiu, e que ainda irrita.
Um beijo com gosto de pimenta do reino...
de Deus veio a mim o castigo: Rita.

Que delírio se essa fosse a de Chico!
Bom seria se tivesse levado tudo,
não ficaria lembranças do que não lembro,
nem uma 3x4 na gaveta do criado-mudo.

Se intrigas entre gastos e gostos
nos fazem tão zonzos quanto birita,
deixemos no passado os anos
que inocente fomos, querida Rita.

E se não tivesse espalhado a quem pudesse ouvir
que perdeste o que guardava entre as pernas?
Não sou culpa nem remorso nem nada!
Sou um homem que abriu em ti feridas eternas.

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05 maio 2010

Ambulante

Ambulante...

Na janela por onde o vento passa,
entra um mal cheiro de terra molhada.
Cheiro de chuva misturado com fumaça.
Ah! Eu não gostei não!
A Roberta Miranda no último volume
foi cuspida da casa da vizinha como
água suja dos canos de esgoto.
A perua branca dos ovos sobe a rua
reclamando e propagando, com aquele megafone,
toda sua ironia e meu despertador.
Ah! Eu não queria acordar!
Depois a buzina do pão,
o caminhão entregando um fogão,
o ruído do motor do portão
e meu sono não voltou mais não.

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22 abril 2010

Fico-ou-não-fico?

Tanta vida com merda...

Misturamos tanta vida com merda,
tanto tema sem porque nem causa,
tanto asfalto na mesma rua...
que acabamos não saindo de casa.
Repetem-se, a cada dia, mais e mais,
como as ondas de um mar amargo,
nossas conversas sem causa nem porquê,
em tons surdos e fora de cargo.
Seus maravilhosos desenhos coloridos
de fadas com mãos ancoradas... encardidas,
são horríveis por tamanha perfeição.
A moda dita as regras não perdidas...
A rima é que faz a ordem não programada.
Ligo o carro, acelero e vou-me embora.
Sei quando pego o embalo: é quando tu ri.
No fico-ou-não-fico? é que perco a hora!
Já se passam das três e, dois corpos no sofá.
Estendidos e mudos... sossegam e se beijam.
Porém, há mais beijos do que sossego. Convém?
Contudo, sufoco o tempo e dois corpos queixam-se.
Meus horrorosos desenhos desnutridos
de ogros com asas aluvadas... iludidas,
são lindos por escassez de exatidão;
mesmo em cadernos com folhas partidas.
Querida, não há nem haveria problema algum,
se quando ao seu lado ficamos sem assuntos,
bobos e calados... apenas com sorrisos nos lábios.
E que lábios! Basta com tudo... estamos juntos.

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