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31 março 2010

Absolutismo

Absolutismo.

Na luta,
sou o luto, pois
eu já estou puto.
Só luto. Soluto e
solução. Abstrato,
absoluto. Lutismo.
Luz da razão.
Puta merda!

Exatas são
chatas. É
meio, é nada.
Tapas e tapas.
Murros, bolachas.
Etapas são
chatas. E-mail?
É nada. Puta merda!

Está lento
o vento que bate,
pois o pensamento
quer que assim seja.
A cerveja me embriaga.
Talento? Sim, "tá" lento.
Deixa estar, mas
que puta merda!

Sossego e
sou cego. Sem
óleos, sem horas.
A sós, só e somente.
Sufoco perdido entre
a gente. Sou foco:
exigente e ex-gente.
Escova sem cerdas. Puta merda!

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29 março 2010

Nada por nada

Mesa de bilhar.

Perco minha concentração
numa mesa de bilhar,
depois não tenho tempo
para o vestibular.

Será que mesmo assim,
eu tenho chances de passar?
(Rimas feias fazem
sentidos para mim!)

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27 março 2010

Sobre o trabalho refeito

Eros, erros

Embora em árduo molde teve atenção,
enquanto esculpia a peça, um erro.
Ainda que despercebido e minúsculo,
miserável é sua aparição: um retrabalho.

Pois ali o tempo investido torna-se pó,
a fim de engasgar narinas, tremer as mãos.
E o ódio que tal cena contempla,
agrava o infeliz sem misericórdia.

Havia pego novamente a pá
e fez daquilo que era pó,
um lixo de sacola só
arremessado para o lado de lá.

Ainda pior seria se este não fosse descuido:
um trabalho refeito por opção alheia.
É causar ira, fazer birra, propositar erros;
mas depois do dilúvio, uma arte com êxito.

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  • retrabalho
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25 março 2010

Chatroulette Piano Ode to Merton

Ai você abre o chatroulette a fim de encontrar peitos de fora e se depara com um show de piano. WTF?! E agora, Seu Bartolo?

Copiei descaradamente do Super Wallace.

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23 março 2010

Tempos

E vos declaro marido e mulher.

Dessas sobras de planos guardemos apenas os alcançáveis,
aqueles que fazem sentido, ou ainda, os que cor não perderam.
Vamos juntar as migalhas, quem sabe algo melhor nos surpreenda;
e nessa nossa viagem no tempo possamos resgatar o esquecido.
É mesmo fascinante ver que não perdemos o brilho;
os nossos dentes velhos refletem os dias bem vividos.
Das tristezas não me lembro, já nem sei se existiram.
O fato é que crescemos nos amando e mentindo;
confesso: mais mentiras do que amor entre nós,
mas nada que faça estremecer ou curvinhar a voz.
E vinha contando do seu tempo de menina;
da vida saudável, porém vazia. Tempo de rimas.
Havia sorrisos e soluços engasgados... misturados;
nossas faces cruzavam-se num momento infantil.
Lembranças malvadas; dourado era o tempo de criança.
Já pulávamos partes, assim como pulávamos corda.
Saltitantes... brilhantes... brinquedos... briguentos;
depois fazíamos as pazes cantando a ciranda maliciosa.
Entre no círculo. Arrisque! Provoque! Fique por um fio.
Conte verdades, invente histórias; faça o desafio.
Saudades dos tempos de escola, da professora de português;
de cansar brincando, de brincar cansado.
"- Sua vez de dizer o que na sua mente se passa."
Com toda exatidão, não hesitei. - "Lembro do nosso tempo de aventuras,
de se esconder em outras ruas, procurando um refúgio
para que nossas bocas sem urros pudessem se encontrar."
Vi um branco na face da outra que em desespero fingiu não lembrar.
Não preocupei-me, mudei de lembrança. "- Lembro dos antigos vizinhos,
daqueles que reclamavam sozinhos em ver a gente se divertir."
Os nossos outros amigos não vejo por onde andam.
Se ainda andam, não sabemos... talvez nunca saberemos.
Por tanto tempo juntos, agora vemos noutros mundos a solução.
Queria estar bem longe para sentir na pele a falta que me faz.
E se, hoje, eu não faço em ti nenhuma diferença,
talvez um dia amanheça com saudades de mim.

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22 março 2010

Os dias de um marido e uma mulher

E vos declaro marido e mulher.

Depois de casados teremos dois filhos;
um dia brincaremos com eles,
noutro os mandaremos dormir mais cedo.
Um dia assistiremos televisão no sofá,
noutro veremos filme no cinema.
Um dia eu direi: "Eu te amo",
noutro exclamarei: "Estou estressado!".
Um dia jantaremos fora,
noutro encomendaremos pizza.
Num dia a luz de velas,
noutro nos lambuzaremos todos.
Um dia chuvoso, uma noite sem estrelas.
Uma madrugada de sexo, outra de sono.
Um dia com nariz de palhaço,
em outro com o sorriso enferrujado.
Um dia deitaremos cedo e dormiremos tarde,
noutro nem sequer deitaremos.
Um dia escutaremos música antiga,
noutro ficaremos em silêncio.
Um dia eu lavo a louça e você cozinha,
noutro eu sujo os pratos e você limpa.
Um dia te beijarei enquanto dormes,
noutro reclamarás do meu mau cheiro.
E assim até que a morte nos separe.

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20 março 2010

Diga algo contra

Diga algo contra...

Você, ainda assim, tão inocente,
(tão vazia de si mesma)...
vê nos devaneios da vida
a coerência e a certeza do que irá viver.
Tendo nos dentes o medo,
guardado em segredos, de se contradizer.

Pois não sei; eu que confundo atrizes,
consolo as tristes e não tenho nenhum santo,
posso então dirigir esse palco?

Há quem vê graça em metáforas, em conotações,
na figuração de algo incerto, porém correto.
Sinceridade é ser direto e, sempre ou quase,
manter o peito aberto, sem medo,
para que contradições passem despercebidas.
Não sou sincero nem cicatrizo feridas.

Se confundo é por variedade,
se consolo é por chantagem,
se não creio é por descrença.

Cadê você com aqueles olhos de perdida,
aparentando sempre um frio na barriga,
parecendo ter medo de viver?
Cadê sua face magra toda distorcida
no seu magro corpo cheio de parasitas
e seus pensamentos magrelos de doer?

Ficou para trás o nosso tempo de criança,
da lembrança de que o mundo não girava,
de rodar o corpo e sonhar bem alto.

Lá vem você. Toda menina;
toda cheia de si mesma.
Sorriso não cabe em seu rosto.
Vem saltitante, cantante e feliz.
Descobriu que na vida não vive
aquele que nunca se contradiz.

Se não confundo é por escassez,
se não consolo é que não agrado,
se creio foi por tanto descrer.

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19 março 2010

As histórias maravilhosas de Edward Bloom

Big Fish ou Peixe Grande, como quiser.

O dedo torto, a aliança se desfaz com rapidez na boca do peixe,
São tantos contos que pouco importa o que fez nas suas tardes quentes.
Galhos secos e os sapatos no varal, aranhas que tropeçam em nossas vestes;
Gigante amedronta a cidade e eu certo de que não era a minha vez...
Com tanta fome, tanto vazio no olhar, o tempo parou quando eu te vi...
E foi tão longo quanto bonito ao ter um campo de amarelos narcisos.
Murros na face, mesmo com sangue, ainda ao cair esbanjei sorriso.
Diz então amor, que quando voltar teremos nossa casa com
Cercas brancas, telhado cor-de-brasa e um filho a brincar na varanda.
O olho de vidro me tranqüilizou em tantas aventuras das quais
Mantive o brilho, a coragem, a sutileza e muito mais...
"Acreditei nas suas histórias mais do que devia
E montei quebra-cabeça para descobrir quem realmente existia"
Ladrão de banco, enriqueci o velho poeta com dicas sem esforço,
E japonesas se desgrudaram quando na imaginação eram do mesmo corpo.
Cadeiras de rodas, a maratona contra o tempo transposto...
E são muitos, mas não se vê ninguém com a tristeza no rosto...
O rio cuidou de me levar, mas o brilho dourado ficou em mãos,
De quem não era objetivo, do que tornará-se uma paixão.
Seria mesmo esse fim que o olho me mostrou?
Será mesmo esse o fim que meu filho esperou?

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18 março 2010

Bilhete na porta da geladeira

Bilhete na porta da geladeira

Era um silêncio seco, pesado aos meus ouvidos.
Na imensidão secreta do nosso refúgio,
um porta-retrato sobre o criado-mudo,
um abajur sem lâmpada do outro lado
e seu corpo estendido no leito de sono.

Era tão confortável velar seu descanso.
Um anjo de maquiados olhos fechados.
Reclamou cansaço enquanto à mesa,
desfez da toalha no miúdo corpo
e se jogou por cima da roupa de cama.

Amanhã já vai chegando, eu aqui,
sentado a sua frente, deslumbrado.
Despertei-me do chão aconchegante,
soltei um beijo sem graça em sua boca,
e te cobri com toda sutileza possível.

"Tenha um bom dia, meu bem."

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17 março 2010

Mon(s)tre

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